Tendências de Mercado

Edge computing e o futuro dos serviços de saúde

Nov 25, 202111 min read

Written by Rachel Kempf (Editor-in-Chief)

Become an expert in edge computing

Os serviços de saúde passam hoje por uma transformação digital, com cuidado remoto, portais online para pacientes e dispositivos vestíveis de IoT, que possibilitam o monitoramento remoto de pacientes, transformando a indústria. É por isso que, nos últimos anos, muitas empresas de saúde adotaram a cloud para possibilitar maior escalabilidade e melhor disponibilidade desses serviços. Mas será que a cloud é capaz de entregar tudo o que é necessário para o futuro da saúde?

Em uma indústria em que segundos podem fazer a diferença entre a vida ou a morte, provedores cloud, que processam requisições em data centers centralizados distantes do usuário final, não conseguem entregar o monitoramento em tempo real, a baixa latência, a eficiência na utilização de recursos e a compliance localizada necessários para a transformação digital dos serviços de saúde. Diante desse cenário, este post fala sobre as mudanças que a indústria da saúde está passando, os desafios para implementar essas mudanças e como o edge computing e a Plataforma de Edge da Azion podem suprir as necessidades da próxima geração dos serviços de saúde, como compliance localizada, transferência de dados rápida e eficiente e monitoramento em tempo real.

A transformação digital dos serviços de saúde

Apesar de os novos desenvolvimentos revolucionários em serviços de saúde se apresentarem de diversas formas, o objetivo de muitos desses casos de uso é o mesmo: aprimorar a qualidade do serviço onde quer que os pacientes estejam. Quatro tendências ilustram como a transformação digital está possibilitando isso: portais online de autoatendimento, cuidado remoto e móvel, IoT voltados para a saúde e o aperfeiçoamento de diagnósticos por meio de análise de dados.

Hospedando registros de pacientes online

Ainda que se possa pensar que o fácil acesso online a registros de saúde seja mais uma questão de conveniência que de necessidade, ambos os aspectos frequentemente caminham juntos. Acesso rápido e fácil a informações como a ficha do paciente e os resultados dos exames simplifica o compartilhamento de informação precisa entre pacientes e profissionais de saúde, agilizando os cuidados e possibilitando que o profissional atenda mais pacientes. Esse benefício é especialmente importante para hospitais com número reduzido de profissionais ou sobrecarregados com pacientes, como aconteceu frequentemente durante os piores momentos da pandemia de COVID-19. Durante esse período, portais de atendimento online também possibilitaram que pacientes realizassem check-in pela internet, agendassem visitas e consultassem médicos por meio de videoconferências, o que reduziu o tempo que precisavam ficar próximos uns dos outros, diminuindo o risco de transmissão do vírus.

Atendimento remoto e móvel

Enquanto portais de telemedicina e de atendimento online facilitam a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde diretamente de suas casas, equipar ambulâncias, farmácias e outros locais não tradicionais com conectividade à internet permite levar cuidados essenciais para pacientes da zona rural e outros que vivem distantes de hospitais e clínicas. Como a HealthTech Magazine explica,"Um veículo equipado com dispositivos de edge computing, por exemplo, pode visitar vilarejos isolados e disponibilizar cuidados avançados, conectando moradores a serviços de telemedicina".

Dispositivos de Internet das Coisas Médicas

IoT é a sigla para "Internet das Coisas" – uma classe de dispositivos com conexão sem fio que podem transmitir e analisar dados para realizar, no mundo real, ações pré-programadas, usando gatilhos de eventos para eliminar ou reduzir a necessidade de intervenção humana. Biossensores vestíveis e outros dispositivos que podem realizar monitoramento sem fio de doenças crônicas conseguem fornecer aos médicos informações mais precisas para ajustar dosagem de medicamentos, aumentar a adesão do paciente a recomendações médicas e, em alguns casos, realizar intervenções que podem salvar a vida do paciente, como a liberação de insulina.

Ser capaz de realizar essas tarefas não apenas melhora os cuidados que cada paciente recebe, mas aprimora os cuidados para todos, reduzindo custos médicos e acelerando fluxos de trabalho. Como resultado, IoTs médicos estão sendo produzidos e desenvolvidos a uma velocidade incrivelmente alta. Um artigo da Forbes de 2021 afirmou que espera-se que o uso de IoTs médicos "aumente a uma taxa de crescimento anual composta de um dígito de 2021 a 2027, chegando a aproximadamente 48 bilhões de dólares no mundo todo".

Aprimorando diagnósticos por meio da IA

Enquanto o aumento do armazenamento online de registros e IoTs médicos apresentam benefícios por si só, o fácil acesso a uma grande quantidade de dados também fornece à IA uma riqueza de dados a serem analisados, possibilitando mais melhorias aos serviços de saúde. Isso já está sendo demonstrado por empresas como a Causaly, uma companhia de pesquisa biomédica do Reino Unido que acelerou seu desenvolvimento de IA durante a pandemia para possibilitar avanços mais rápidos na detecção e no tratamento da COVID-19. A IA da Causaly pode ser utilizada para responder a perguntas de pesquisa que demandariam semanas por meios tradicionais, permitindo que pesquisadores desempenhem rapidamente tarefas como o mapeamento de dados epidemiológicos e a identificação de potenciais opções de tratamento.

Desafios com os serviços de saúde da próxima geração

Apesar dos avanços recentes nos serviços de saúde, sua transformação digital não acontece sem desafios. À medida que mais registros de serviços médicos são disponibilizados online, provedores de saúde enfrentam dificuldades proporcionais para administrar compliance de dados, ataques cibernéticos, os custos e recursos necessários para transferir enormes quantidades de dados e para disponibilizar serviços online em áreas com baixa largura de banda ou conexão ruim.

Privacidade de dados e compliance

Para garantir que registros confidenciais não sejam vazados, roubados ou acidentalmente entregues ao paciente errado, companhias de saúde devem aderir a regulamentos sobre como dados online são armazenados e transmitidos, o que frequentemente muda de acordo com a geolocalização. Alguns exemplos disso são o General Data Privacy Regulations (GDPR) da União Europeia, o America's Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPPA) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira. Além disso, algumas leis, como a GDPR, exigem que as empresas divulguem violações de dados que impactem os cidadãos de seus países independentemente de onde eles estejam no momento, o que significa que as regulamentações podem ser diferentes não apenas para diferentes países, mas para pacientes específicos, requerendo a implementação de políticas extremamente granulares.

Aumento dos ataques cibernéticos

A necessidade de proteger dados dos pacientes fica mais complexa pelo fato de que uma maior dependência da internet significa um aumento dos ataques cibernéticos. DDoS e ransomware têm se tornado cada vez mais comuns; apenas em 2020, aproximadamente um terço dos provedores de saúde disseram ter encontrado ransomware, de acordo com a Discover Magazine. Controlar o vazamento de dados é um desafio, especialmente porque tais vazamentos no setor de saúde muitas vezes resultam de ameaças internas. E com um número grande de dispositivos IoT realizando cuidados e monitoramentos essenciais aos pacientes, é importante garantir que a segurança se estenda a esses dispositivos, que podem ser difíceis de proteger visto que muitas vezes têm menos poder de processamento e, como resultado, protocolos de criptografia mais fracos do que de computadores, tablets e smartphones.

Disponibilidade e desempenho

Além de manter os dados privados e seguros, ter a velocidade e a largura de banda necessárias para transmitir arquivos grandes e datasets enormes também pode apresentar um desafio, especialmente em localidades que já possuem conexão ruim. Para pacientes da zona rural, a possibilidade de receber atendimento via telemedicina ou em locais não tradicionais, como clínicas pop-up, é especialmente importante, visto que hospitais muitas vezes ficam muito distantes; no entanto, esses esforços só são possíveis com a infraestrutura necessária. Além disso, IoTs médicos que executam ações como liberar insulina ou enviar alertas como resposta a ocorrências críticas precisam ter processamento em tempo real para serem efetivos.

Para superar os desafios apresentados pela sua transformação digital, o futuro dos serviços de saúde requer:

  • Menos dependência de largura de banda para usuários com conexão ruim
  • Compliance localizada com leis de privacidade de dados
  • Segurança forte com controle de acesso granular
  • Transmissão rápida e com bom custo-benefício para exames de imagem e outros arquivos grandes
  • Automação de tarefas, como coletar e gerenciar dados de pacientes
  • Baixa latência de missão crítica e monitoramento em tempo real para IoT médicos

Como edge computing beneficia os serviços de saúde

O problema com estruturas On-Premise e Cloud

Uma pesquisa da Dell de 2020 descobriu que os dados dos serviços de saúde e de ciências da vida cresceram quase 900% nos dois anos anteriores, demandando capacidades significativamente maiores para armazenamento e transmissão de dados. Dentre as opções de infraestrutura, a legada, que precisa implementar fisicamente novos servidores, não é apenas lenta, mas necessita de muitos recursos, pois provê pouca flexibilidade para redução quando períodos de uso intenso – tais como os picos de COVID – acabam. Plataformas cloud, que disponibilizam recursos virtualizados sob demanda na internet, possibilitam que empresas paguem apenas por seu uso, possibilitando um método mais ágil e com maior custo-benefício para escalar bem como a possibilidade de assegurar e entregar serviços remotamente, em vez de depender de redes privadas MLPS e soluções de segurança baseada em hardware.

Contudo, data centers de cloud em hiperescala são altamente centralizados, criando novos problemas para empresas de saúde que estão transicionando de sistemas legados. Quando requisições são feitas para as plataformas cloud, como um paciente acessando um portal online ou um médico baixando um exame de ressonância magnética, elas devem viajar de e para localidades distantes, resultando em alta latência de rede, redes mais congestionadas e custos mais altos de transferência de dados. Além disso, dados que viajam longas distâncias passam por muitos pontos de troca de tráfego da internet (PTTs) e diferentes redes, potencialmente ultrapassando limites geográficos onde as leis de privacidade de dados são diferentes, o que faz com que a compliance de dados seja mais difícil de ser alcançada.

Solucionando problemas no edge

Ao mover o poder de processamento para mais perto de onde os dados são gerados ou necessitados, edge computing possibilita um melhor desempenho, uso mais eficiente de recursos e compliance localizada. Como a CIO Magazine observa, isso representa um desenvolvimento transformador para os serviços de saúde, pois esse tipo de processamento e análise em tempo real "cria a oportunidade de identificar, refinar e compreender dados enquanto estes são gerados para insights e ações mais rápidos possíveis".

Entretanto, isso não significa, necessariamente, uma substituição da cloud. Edge locations são menores que os data centers de cloud, o que possibilita sua implementação em uma variedade de áreas geograficamente distribuídas, mas resulta em menos poder de processamento que cloud centers em hiperescala. Como consequência, o edge e a cloud normalmente se complementam em vez de competirem. No caso dos serviços de saúde, isso pode significar o processamento de alguns dados – como registros privados de pacientes ou requisições urgentes – localmente, enquanto outros dados são enviados para a cloud.

Além disso, o edge computing é um possibilitador do 5G, que facilitará ainda mais o desenvolvimento dos serviços de saúde de nova geração com capacidade vastamente melhorada para redes móveis. Como a Qualcomm explica, o pico de capacidade do 5G inclui velocidade de transferência de dados de 20 Gbps, um aumento de 100x no tráfego e na capacidade de rede em relação ao 4G, e uma latência de ponta-a-ponta de 1 ms. Mesmo dados viajando na velocidade da luz conseguem viajar a apenas 300 km/ms, fazendo com que a latência no nível do milissegundo seja impossível quando desempenhando longas viagens de ida e volta aos cloud centers. Distribuindo do edge, redes 5G podem atingir seus ambiciosos padrões técnicos e possibilitar o desenvolvimento de tecnologias de saúde como cirurgias remotas.

Azion para serviços de saúde

Mudar para o edge possibilita inovações que poupam tempo e custos, e a plataforma da Azion foi projetada para auxiliar as empresas a fazerem isso de forma fácil e segura – sem o risco de vendor lock-in que pode ocorrer com outros provedores de edge e serverless. A Plataforma de Edge da Azion disponibiliza infraestrutura gerenciada para reduzir tarefas operacionais, enquanto conjuntos de regras inteligentes permitem fluxos de trabalho automatizados. Nossos produtos incluem:

  • Edge Application para capacidade de caching avançada. Com isso, você consegue dividir e entregar grandes arquivos em partes para acelerar sua transferência, personalizar a distribuição fazendo caching de conteúdo dinâmico ou criar uma camada adicional de cache entre o edge e a origem para conteúdos de longa duração, minimizando viagens à origem e reduzindo congestionamentos.
  • Edge Firewall para segurança integrada com flexibilidade personalizada de regras. Com isso, você pode simplificar e fortalecer a compliance, criar permissões granulares para reduzir ameaças internas e ganhar proteção multicamada e profunda contra ataques DDoS, violações de dados e outras ameaças que visam cada vez mais a indústria da saúde.
  • Edge Functions para construir funções orientadas a eventos que expandem sua programabilidade no edge. Funções são executadas em resposta a gatilhos de eventos e escalam automaticamente, o que as torna perfeitas para casos de uso como a atualização de cadeias de abastecimento de medicamentos ou a geração de alertas para dispositivos de monitoramento de saúde.
  • Real-Time Metrics e Edge Pulse para observabilidade em tempo real de como suas aplicações estão sendo utilizadas. Observe padrões gerais de uso para aprimorar seu desempenho ou monitorar como usuários individuais estão interagindo com suas aplicações.

Se você está procurando por uma plataforma de edge segura, com alto desempenho e fácil de usar para auxiliar na transformação digital de sua empresa de saúde, descubra o que a Azion pode fazer por você contatando nossos especialistas hoje.

Was this article helpful?